Muita coisa prá comentar sobre o que se passou. O Grêmio, das 15 ou 16 partidas com vitória, esbarrou no Pelotas, em pleno Olímpico, numa péssima jornada de todo o time, eliminado da Taça Fábio Koff. O Inter, ao revés, se deu muito bem. Ia jogar em Caxiasa a semi, mas o Ipiranga não deixou. Devia ir ao Olímpico na final, mas o Lobão aprontou das suas. Na final, de muita emoção, no Beira-Rio, deu Inter, de virada, 3x2 contra o famoso "auricerúleo". Jogo onde pesaram a camiseta e a média de idade, avançada, dos pelotenses. Agora, 2 grenais à vista. Quem sair em vantagem, no primeiro jogo, leva. Assim penso.
Falando no "auricerúleo" pelotense, recordei-me dos bons tempos do romântico rádio esportivo, dos sábados e domingos da minha infância e adolescência, passados praticamente nos estádios, na companhia do velho Renaux. Íamos onde tivesse jogo, na Montanha (do glorioso Cruzeiro, o esquadrão estrelado), nos Eucaliptos e depois Beira-Rio (onde jogavam os rubros), no Olímpico (do tricolor portoalegrense), no Passo D'Areia (do zequinha) e até no Força e Luz. De vez em quando até mesmo na Taba Índia (o Cristo Rei, campo da equipe capilé, o Aimoré) e no Santa Rosa, do Floriano, o anilado, hoje Novo Hamburgo. O Brasil de Pelotas era a equipe xavante da Princesa do Sul. O Grêmio de Bagé era o jalde-negro da Rainha da Fronteira. O Farroupilha, também de Pelotas, era o tricolor do Fragata. E o Juventude, sabem como era conhecido? O verdoengo da Pérola das Colônias. Acreditem.
Que romantismo! A narração de um gol era verdadeira poesia. Vejam só como seria descrito, à época, pelo repórter de campo, um hipotético último gol do Palmeiras sobre o Vasco, no final de um jogo. "O Divino (Ademir da Guia, maior craque da história do Palmeiras), ao apagar das luzes, dominou a redonda no peito e, de sem pulo, da esquina da grande área, desfechou um potente arremate, aninhando-a no fundo das malhas cruzmaltinas, dando cifras definitivas ao marcador". E um "frango", de um goleiro do Inter seria descrito assim: "falhou, fragorosamente, o guardião da cidadela rubra". Legal, não?
Já que não mais primamos pelo romantismo, sobram as emoções. Na 4ª feira, o tricolor portoalegrense vai à Ressacada "defrontar-se" (expressão muito usada no passado) com o team barriga-verde do Avaí, enquanto na 5ª se avizinha um "prélio" dificílimo para os rubros do Menino Deus, diante da equipe equatoriana do Deportivo de Quito.
Embates parelhos, estes da dupla gaúcha. O Grêmio, na Copa do Brasil, tem missão aparentemente mais facilitada, pelo escore do jogo de ida, mas joga fora dos seus domínios. Já o Inter joga cartada decisiva contra adversário direto, somente estando assegurado na próxima fase da Libertadores em caso de vitória (o empate pode servir, mas necessita combinações paralelas). Tem, no entanto, a vantagem do fator local.
Pelas minhas observações dos jogos contra o Pelotas e Avaí, Inter e Grêmio têm partilhado uma dificuldade tática, qual seja, a de jogar com volantes que saem para o jogo e expõem a defesa. Na verdade, o mal está na falta de compactação dos setores e não na ausência do chamado "brucutu". O sucesso do Santos está aí para comprovar essa verdade. Na frente da zaga do time praiano, todo mundo chama a "gorduchinha" de tu e o sistema defensivo ainda assim tem funcionado bem. Sempre é assim quando os atacantes iniciam a marcação, os do meio cercam bem e a defesa sobe, ocupando os espaços. É o que tenho visto no falado Santos Futebol Clube, de todos no Brasil o time que retoma a bola mais perto do gol adversário.