terça-feira, 24 de novembro de 2009

A mãozinha de Henry

Thierry Henry ainda nem sabe, mas vai se tornar mais lembrado pelo bem que fez ao futebol do que por sua malandragem no gol que eliminou a Irlanda da Copa da África do Sul.
O flagrante prejuízo causado à equipe irlandesa servirá, com toda a certeza, para que a cúpula da FIFA se dê conta de que, no nível de profissionalização em que se encontra o futebol, o erro grave deixa de ser um componente "romântico" ou "charmoso". Afinal, há muito investimento em jogo, o suficiente para que o conservadorismo deixe de prevalecer. Viva a tecnologia!
Em se tratando de apartar o erro no futebol, há algum tempo penso na solução trazida pelo tênis. Trata-se do desafio à decisão da arbitragem, tomada normalmente em relação à possível saída da bola pelas linhas da quadra, conflito dirimido, afinal, por tecnologia em imagem. Cada tenista ou dupla (no caso de jogos entre duplas) tem a possibilidade de desafiar a decisão da arbitragem por 3 vezes nos diversos sets da partida, mantendo-se o seu direito a impugnações enquanto comprovar ter razão ou descontando-se esse número a cada erro de observação.
No tênis, a medida, ademais de trazer o componente justiça às quadras, pacificou o relacionamento dos tenistas com a arbitragem. Quase não há mais espaço para a discussão. O desafio resolve a questão. Graças a isto, não se vê convive mais com temperamentos do tipo John McEnroe.
Penso que a solução cairia como uma luva para o futebol.
Imaginemos que cada equipe tenha direito a 1 desafio por tempo de jogo e que os desafios se limitem a dirimir lances capitais (pênaltis, gols, expulsões). Um exemplo concreto. Pênalti marcado aos 5 minutos de um jogo decisivo, com a alegação, do time penalizado, de ter havido simulação. Ao invés da reclamação, do cerco à arbitragem, da possível ofensa, apenas o gesto do capitão, suscitando a dúvida. Confirmada a impressão do desafiante, desmarca-se a penalidade, pune-se o atleta que simulou e mantém-se o desafiante na condição de objetar ainda neste tempo. Caso confirme-se a impressão do árbitro, perde a equipe impugnante o direito do desafio, restando-lhe apenas o correspondente ao segundo período.
Vejo na adoção dessa prática a consecução de 3 grandes vantagens: uma maior concretização de justiça, a pacificação da relação atleta-arbitragem e o desestímulo a eventuais manipulações por parte de árbitros, já que suas decisões marcadamente injustas poderiam vir a ser ilimitadamente questionadas, o que culminaria por expor as suas (más) intenções.
Não acham que valeria a pena uma experiência assim num Brasileirão da Série B, ou mesmo Gauchão, com a devida licença da FIFA para testar a prática?
Talvez o grande Thierry Henry, afinal, ironicamente, venha mesmo a dar uma grande "mão" ao esporte que o projetou.

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