sábado, 20 de março de 2010

Treinamento puro

Fiquei apavorado com os chutes a gol dados pelo Inter, de fora da área, na abertura do segundo tempo, contra o Cerro de Montevideo. Faz tempo que reparo que os chutes colorados com bola rolando são horrorosos, coisa de quem não treina esse fundamento.
Continuo com a minha crença indesmentível: o terror, para os goleiros, são os chutes rasteiros, em pênaltis e de fora da área. Às vezes até uns "petelecos" rasteiros, no canto, entram.
Se fosse treinador de time profissional, seria uma das minhas primeiras atenções.

A falta do centroavante

Muitas vezes já debati, no Beira-Rio, com os chamados "torcedores de resultado". São muito parecidos com os "comentaristas de resultado", que são aqueles que acham que tudo vai bem quando se ganha e tudo vai muito mal quando não se ganha. Não ligam nem um pouco para a produção em campo. O motivo desses enfrentamentos tem sido, invariavelmente, Alecsandro.
Conheço basicamente duas formas de postura de atacantes. Uma, a do mais habilidoso ou veloz, que sai da área prá buscar a bola, cai pelos flancos, tabela, dribla e conclui ou "dá de garçom". Nilmar e Dagoberto são bons exemplos prá visualizar. A outra, a do postado, o "espetado" do Tite, que joga num setor que vai de 5 metros prá fora da meia-lua da área até ali perto da pequena área. Este, menos veloz e habilidoso, tem o seu forte na capacidade de finalização, de desmarque instantâneo, de enfrentamento físico, de cabeceio. Uma dessas habilidades, pelo menos. Quando perto da área, deve proteger a bola, fazer o pião ou virar rápido. Pelas suas características, sofre muitas faltas. Aqui trago os exemplos de Kleber, o gladiador do Cruzeiro, Washington, do São Paulo e Borges, do Grêmio. Alecsandro, decididamente, não se encaixa nestes parâmetros.
Prá começar, Alecsandro sai muito da área para quem não tem como pontos fortes a habilidade e a velocidade. Dá muito refresco para os zagueiros, conseqüentemente. Quando chega na área, chega sem força ou atrasado. Prá mim, que vejo os jogos do Beira-Rio na arquibancada superior, sempre na diagonal que se traça a partir do encontro das linhas lateral e de fundo, fica fácil observar como essa movimentação do Alecsandro é improdutiva. Não raras vezes, observei que os alas deixam de cruzar no tempo porque o centroavante não chegou. Dezenas de vezes, também, percebi que ele chega na área e se coloca atrás de 2 ou 3 zagueiros. E ali fica, esperando que todos falhem. Em todo esse tempo de Alecsandro titular, só o vi fazer o movimento certo de centroavante no Maracanã, contra o Fluminense, no 2x2 do ano passado, e que deu o primeiro gol ao Inter, numa cruzada de Daniel. Convenhamos, é muito pouco para um Inter com pretensões de Libertadores.
Como criticá-lo, porém, se de quando em vez faz os seus golinhos? Tarefa árdua, diante dos "torcedores de resultados". Vá explicar para os caras que o goleador do time na temporada vem jogando mal. Eles não entendem!
A campanha apenas regular na Libertadores, até aqui, passa muito por essa dificuldade no ataque. O jogo de quinta passada, em Rivera, foi prova dessa afirmação. Edu, que vinha jogando mal, melhorou uns 50% e incomodou muito a zaga adversária. Alecsandro não preocupou jamais o Cerro, a não ser por um chute de fora da área aos 48 do segundo tempo. Sequer sofreu faltas perto da área, o que, no futebol de hoje, é quase decisivo, vital. Lembro, a propósito, que os modestos atacantes do Cerro, ao contrário, sofreram umas 5 ou 6 faltas próximas à área e que poderiam ter resultado na vitória dos uruguaios.
Se não houver mudanças no ataque, não vejo com otimismo as chances do Inter nessa Libertadores. Por isto, saúdo a volta antecipada do Walter e reivindico chances ao Kleber Pereira, mesmo fora de forma. Sem eles, vencer o Cerro e o Deportivo Quito, mesmo no Beira-Rio, será um verdadeiro "parto de bigorna".
Prá arrematar o lamento, acabo de ver o Lucas Barrios, argentino que saiu do Chile para o Dortmund - e que interessava o Inter, há pouco tempo -, arrebentar com o jogo enfrentando o Leverkusen. Já empilhou 15 buchas na Bundesliga. E nós aqui...

domingo, 14 de março de 2010

Meninos da Vila turbinam os adversários

Tudo bem que são hábeis. Tudo bem que são jovens. Quando vi os cortes de cabelo da "tchurma" da Vila Belmiro (Neymar, Robinho e companhia) e os passos de dança, mutantes a cada gol contra o (ou será a) colegial Naviraiense, concluí que a coisa não ia dar muito certo, principalmente contra grandes equipes e rivais locais.
Acho que ainda teremos agressões, e que tais comemorações ainda vão "dar muito muito pano prá mangas".
Passo prá cá, dancinha prá lá e, não tenho dúvidas, vai vir a pancadaria.
Parece pura provocação!
Quanto mais bonito for o gol, mais impactantes os passos da dança, mais irado ficará quem for a vítima. É a crônica da morte anunciada. Quem viver, verá.

O 3-5-2 que não funciona

Confesso que gosto do 3-5-2 ou, como prefere dizer o Fossati, às vezes, o 3-4-1-2. Este esquema não tem dado a devida resposta no Inter até aqui, principalmente na Libertadores. Em Porto Alegre, contra o Emelec, pela marcação imposta pelos equatorianos a Kléber e pelo cansaço do Nei, no segundo tempo, acrescido ao fato de que Giuliano não é armador por excelência. Nesse contexto, a bola não chega, fazendo com que os atacantes saiam em busca do jogo. Com a ausência de opções, se mandam os volantes, Guiñazu e Sandro, muitas vezes ao mesmo tempo.
Contra o Deportivo Quito, na quinta, não foi muito diferente. A diferença foi que a retração do time, desde o início, não se deu em função da marcação adversária, mas, sim, em razão da própria proposta de jogo do técnico colorado. Ao final, outra vez o resultado foi melhor do que a atuação. Com a proposta modesta de apenas defender-se, prendendo os alas Bruno Silva e Kléber, o destaque ficou para Sandro (excelente no primeiro tempo, até cansar pela altitude), Guiñazu (haja oxigênio!) e Pato, a figura da partida, com 3 grandes defesas e atitude marcante e decisiva na desmarcação do absurdo pênalti que fulminaria as pretensões do Inter de tentar a liderança do grupo na quinta próxima.
Pelo que vi neste domingo do glorioso colorado em Veranópolis, D'Ale pede passagem para se juntar a Giuliano na tarefa de aproximação com os atacantes. Contra o Cerro, em Rivera, acho que Fossati sacrifica Edu e solta mais os alas. A formação que imagino vá a campo: Pato; Índio, Bolívar e Sorondo; Nei, Sandro, Guiñazu, Giuliano e Kléber; D'Ale e Alecsandro.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Na Champions, a lógica

Como já havia previsto, par os amigos mais chegados, achava que o arrogante Real não passava do Lyon, mesmo no Bernabeu. Nada mais lógico, para um clube que todo o ano gasta milhões, amontoando craques que não se completam. Como disse uma vez um técnico interino do clube madrilenho, da época dos galáticos (Figo, Zidane, Beckham, Ronaldo, Raul), é difícil acumular tanta vaidade reunida. Florentino Perez não aprende mesmo.

Já o Milan, da invenção chamada Leonardo, segue se notabilizando por constituir um novo "saco de pancadas de alta griffe". Estes dias comentei com o Nando, a respeito dos rossoneri, que o time atual é composto por jogadores que fizeram muito sucesso, mas há 5 ou 6 anos atrás. Logo...
Os times ingleses estão sobrando nessa carreira, como se diz em linguagem turfística.
No mais, sigo pensando que talvez se possa mesmo vingar o povo gaúcho em Dubai, no final do ano. A tua hora vai chegar, Van der Sar!

Inter x São Luiz: eu gostei

Embora as muitas críticas, me agradou o desempenho e resultado do Inter em Ijuí. Com o time misto, mostrou empenho, dedicação e senso de oportunismo. O time interiorano vinha de não perder em seu estádio há muito tempo. De positivo as atuações de Andrezinho, Thiago Humberto, Eltinho e Pato, com um e outro vacilo e grandiosas defesas (lembrei-me dos primeiros jogos do Manguita Fenômeno). É muito importante quando não se está tão bem e ainda assim se vence. Prenúncio de muitas vitórias mais.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Resumo resumido

Nesse novo breve intervalo para minhas reflexões, o Inter (reservas) conseguiu a façanha de ser derrotado para o Nóia, em pleno Beira-Rio e o Tio Janjão conseguiu fazer o Fogão campeão da Taça Guanabara entrando sempre com 7 em campo (e mais os fantasmas de Alessandro, Fahel, Eduardo e o "passageiro da agonia"). Fraquíssimo o Vasco, que, acho, entrou de "salto alto" por ter goleado no turno (o famoso 6 x 0).
Depois, vi o Inter A jogar contra o Emelec uma partida muito complicada pela Libertadores. O resultado foi muito melhor que a atuação. Um paradoxo, contudo, já que não se vitoriava em estréias nesse torneio há muito tempo. Gostei só do Nei e do Guiñazu, além, é claro, do glamour da estréia do novo Pato. O animalzinho dá mesmo sorte ao Inter.
Fossati foi muito criticado após o jogo, pela dureza com que tratou Walter, autor do passe de gol vazio para Alecsandro. Soube-se depois que o moleque já havia aprontado na véspera, sumindo. Apareceu para treinar sozinho no dia seguinte e não se dignou mais a aparecer no Beira-Rio. Fala-se em depressão, dinheiro, mágoa. Pode redundar num precoce final de carreira. Para o bem dele, tomara que não. Que falta faz a estrutura familiar! E como seria bom se os empresários não se preocupassem só com os seus ganhos!
Na final da Taça FC, o Nóia jogou melhor, mas perdeu para o Grêmio. Colegas e amigos gremistas ficaram arrepiados com o que viram (ou melhor, com o que não viram). Rospide à postos.
Mudando um pouco de ares, devo dizer que depois de ver vários jogos da Liga dos Campeões e dos campeonatos europeus, continuo convencido de que teremos um time inglês nos Emirados no final do ano. Que acham de um Manchester United x Inter e uma vingança gaúcha em cima do Van der Sar? Duvidam? É só aparecer um centroavante por aí.