Muitas vezes já debati, no Beira-Rio, com os chamados "torcedores de resultado". São muito parecidos com os "comentaristas de resultado", que são aqueles que acham que tudo vai bem quando se ganha e tudo vai muito mal quando não se ganha. Não ligam nem um pouco para a produção em campo. O motivo desses enfrentamentos tem sido, invariavelmente, Alecsandro.
Conheço basicamente duas formas de postura de atacantes. Uma, a do mais habilidoso ou veloz, que sai da área prá buscar a bola, cai pelos flancos, tabela, dribla e conclui ou "dá de garçom". Nilmar e Dagoberto são bons exemplos prá visualizar. A outra, a do postado, o "espetado" do Tite, que joga num setor que vai de 5 metros prá fora da meia-lua da área até ali perto da pequena área. Este, menos veloz e habilidoso, tem o seu forte na capacidade de finalização, de desmarque instantâneo, de enfrentamento físico, de cabeceio. Uma dessas habilidades, pelo menos. Quando perto da área, deve proteger a bola, fazer o pião ou virar rápido. Pelas suas características, sofre muitas faltas. Aqui trago os exemplos de Kleber, o gladiador do Cruzeiro, Washington, do São Paulo e Borges, do Grêmio. Alecsandro, decididamente, não se encaixa nestes parâmetros.
Prá começar, Alecsandro sai muito da área para quem não tem como pontos fortes a habilidade e a velocidade. Dá muito refresco para os zagueiros, conseqüentemente. Quando chega na área, chega sem força ou atrasado. Prá mim, que vejo os jogos do Beira-Rio na arquibancada superior, sempre na diagonal que se traça a partir do encontro das linhas lateral e de fundo, fica fácil observar como essa movimentação do Alecsandro é improdutiva. Não raras vezes, observei que os alas deixam de cruzar no tempo porque o centroavante não chegou. Dezenas de vezes, também, percebi que ele chega na área e se coloca atrás de 2 ou 3 zagueiros. E ali fica, esperando que todos falhem. Em todo esse tempo de Alecsandro titular, só o vi fazer o movimento certo de centroavante no Maracanã, contra o Fluminense, no 2x2 do ano passado, e que deu o primeiro gol ao Inter, numa cruzada de Daniel. Convenhamos, é muito pouco para um Inter com pretensões de Libertadores.
Como criticá-lo, porém, se de quando em vez faz os seus golinhos? Tarefa árdua, diante dos "torcedores de resultados". Vá explicar para os caras que o goleador do time na temporada vem jogando mal. Eles não entendem!
A campanha apenas regular na Libertadores, até aqui, passa muito por essa dificuldade no ataque. O jogo de quinta passada, em Rivera, foi prova dessa afirmação. Edu, que vinha jogando mal, melhorou uns 50% e incomodou muito a zaga adversária. Alecsandro não preocupou jamais o Cerro, a não ser por um chute de fora da área aos 48 do segundo tempo. Sequer sofreu faltas perto da área, o que, no futebol de hoje, é quase decisivo, vital. Lembro, a propósito, que os modestos atacantes do Cerro, ao contrário, sofreram umas 5 ou 6 faltas próximas à área e que poderiam ter resultado na vitória dos uruguaios.
Se não houver mudanças no ataque, não vejo com otimismo as chances do Inter nessa Libertadores. Por isto, saúdo a volta antecipada do Walter e reivindico chances ao Kleber Pereira, mesmo fora de forma. Sem eles, vencer o Cerro e o Deportivo Quito, mesmo no Beira-Rio, será um verdadeiro "parto de bigorna".
Prá arrematar o lamento, acabo de ver o Lucas Barrios, argentino que saiu do Chile para o Dortmund - e que interessava o Inter, há pouco tempo -, arrebentar com o jogo enfrentando o Leverkusen. Já empilhou 15 buchas na Bundesliga. E nós aqui...