domingo, 16 de maio de 2010

Os incríveis 9 minutos de Rodrigo Mancha

Uma das partidas mais infelizes que vi um atleta realizar em meus mais de 45 anos de futebol. O autor da proeza: o volante Rodrigo Mancha, do Santos, na partida realizada ante o Grêmio, no Olímpico. Colocado em campo aos 11 minutos por Dorival Júnior, com o objetivo nítido de contenção da volúpia ofensiva gremista, quando o Santos vencia por 2x0 e conseguira já retomar as rédeas do jogo, o jogador, frio e fora de ritmo, perdeu 2 bolas infantis em sua intermediária que resultaram em 2 gols gremistas, desencadeadores de mais 2 outros feitos ante um anestesiado Santos Futebol Clube, em pouco mais de 20 minutos. Antes, numa terceira firula, quase provocara um terceiro gol do tricolor. Em 9 minutos estava fora, sacado pelo treinador da equipe paulista e a soquear a casamata destinada aos visitantes do estádio gremista.
Em todos esses anos de futebol vi muitos times fabulosos, como o Botafogo e o Santos do anos 60 e 70, o Palmeiras, Cruzeiro e Inter dos anos 70, o Flamengo dos 80, o Sâo Paulo dos 90 e 2000. Neles, sempre houve lugar para jogadores não tão brilhantes, que desempenhavam funções táticas importantes e tinham consciência de suas limitações técnicas. Exemplos: Elton e Carlos Roberto, no Botafogo; Lima e Clodoaldo, do Santos; Dudu, no Palmeiras, Caçapava e Batista, no Inter; o bom Piazza, do Cruzeiro; Carlinhos e Andrade, no Flamengo; Pintado, no São Paulo, entre outros. Não que fossem fracos. Eram apenas os menos talentosos dos supertimes citados. Nenhum deles, por um dia sequer, imaginou-se um Pelé, um Garrincha, um Jairzinho ou Gérson, um Ademir da Guia ou um Tostão, um Dirceu Lopes ou um Falcão ou mesmo Carpegiani. Por isso, simplificavam as coisas em campo. Assim, conscientes de seu papel auxiliar, chegaram também à fama, ao reconhecimento, hoje estando vivos na memória do torcedor e integrando a galeria dos grandes ídolos de seus clubes.
Numa observação de quem vê as coisas de longe, percebo que Rodrigo Mancha (ao que parece, um jogador de modestas condições técnicas) deixou-se contaminar pela qualidade indiscutível de seus companheiros. Sim, isso mesmo. Vendo-se cercado por PH Ganso, Robinho, Neymar, André, Léo, Marquinhos e companhia, imaginou-se um deles. E, portanto, capaz de firulas, traído que foi pela falta de consciência de suas condições pessoais.

Nenhum comentário: