segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Botafogo, a bola da vez da arbitragem

De retorno do Beira-Rio, onde presenciei, talvez, a melhor exibição colorada do ano, recorri ao site globoesporte.com para, curioso, ver os lances do comentado empate por 3x3 entre Botafogo e Grêmio, em razão das reclamações botafoguenses dirigidas ao trio de arbitragem (Rodrigo Martins Cintra e companhia). Foi efetivamente prejudicado o Botafogo, em dois lances capitais. O primeiro deles, no cruzamento de Mário Fernandes para o segundo gol de Jonas, quando a bola ultrapassou a linha de fundo em quase 2 réguas escolares comuns (para ser didático, algo como quase meio metro). Erro, aqui, do auxiliar. Já o segundo, imperdoável pela colocação de Sua Excelência, o árbitro, tratou-se de um pênalti claro como o céu desta tarde, cometido por Adilson, ao interceptar, com o braço estendido, um passe do jogador Thiaguinho. Não acredito em benefício ao Grêmio, que nada tem a ver com isso. Creio, sim, pelo retrospecto das últimas arbitragens em jogos do Fogão (vide o 3x3 com o Corinthians), que o clube não é muito simpático aos homens de preto, agora de amarelo. Em tempos de "vacas magras" para a equipe alvi-negra, os 4 pontos suprimidos nessas 2 partidas tendem a fazer muita falta no final do campeonato. Defendo a punição exemplar de árbitros e auxiliares em erros capitais como estes, aplicando-se-lhes longas suspensões, acompanhadas da comunicação pública da imposição da pena.

domingo, 30 de agosto de 2009

Como o Inter dos grandes tempos

Pela segunda vez premido pela circunstância de se defrontar com vários desfalques, Tite adotou o exitoso 3-5-2 (a outra, no jogo com o Fluminense, em um tempo apenas e um 2xo) e acertou em cheio. Com o esquema, alcançou maior segurança defensiva e pôde liberar os laterais para serem alas e neutralizar, assim, a jogada forte do verdão goiano, que se apresenta, sempre, nos avanços de Vitor e Júlio César. De quebra, a magnífica estréia de Marquinhos, um segundo atacante de primeiríssima qualidade, que já havia visto jogar na Taça São Paulo de juniores, neste ano. Incrível o garoto, que não só marcou um gol a la Romário (na verdade, confesso, lembrei, pelo estilo, de um tal Eduardo Gonçalves de Andrade), como também infernizou a vida dos zagueiros goianos, do primeiro ao último minuto, com sua visão de jogo e toque refinado mortal , tendo de seus pés saído quase todas as jogadas perigosas da equipe. Enfim, viu-se uma atuação impecável do conjunto, com excelentes atuações individuais de Fabiano Eller, Kléber, Magrão, Giuliano e do Super Guina e muito boas de todos os demais, incluindo a do promissor Edu, reestreando às pressas no futebol brasileiro após quase 9 temporadas européias. Foi, ao mesmo tempo, uma jornada nostálgica. Ao lado da torcida da "chaminé", na arquibancada superior do Beira-Rio, lembrei-me do Inter dos anos 70 e do sufoco que dava em seus rivais, até levá-los à lona, como o Mike Tyson dos bons tempos. Devia ser assim também com o Rolo Compressor, que não tive a oportunidade de ver. De certo modo, foi como se ambos se apresentassem de novo, em homenagem a Gildo Russowsky, o ex-Presidente falecido neste dia.

Jogo duríssimo

O Goiás, visitante do Beira-Rio neste fim de tarde, é time de toque de bola, de aproximação de jogadores, faz muito bem o 2 em 1 pelas alas e é agudo nos contra-ataques. Esta característica acompanha o clube desde que o vi pela primeira vez em Porto Alegre, creio que nos anos 70. Lembro-me do Goiás de Matinha e Lincoln, de Luvanor e Zé Teodoro, de Lúcio e Túlio Maravilha, de Fernandão (hoje o veremos de novo) e Araújo e de Fabão, Josué, Danilo e Grafite. Todos com este mesmo padrão de jogo. Interessante mesmo como certos clubes mantém a mesma índole, por décadas e décadas. Há aqueles que privilegiam o toque de bola e o futebol mais vistoso, como o próprio Goiás, o Cruzeiro de Minas, os cariocas de modo geral, o Vitória baiano, o Palmeiras e o Santos, via de regra. Como há, também, os que se impõem pela força física e objetividade, casos de Corinthians, Grêmio e Galo Mineiro. E os que temperam, entre uma coisa e outra, como fazem o Inter e o São Paulo. Jogo dificílimo o de hoje. Não o fosse já pela qualidade do esmeraldino goiano, o é pela quantidade de desfalques do colorado. Todo o problema do Inter está em anular as jogadas de Vitor e Júlio César, os alas do Goiás. Em guerra, chama-se "corte de suprimentos". Vi o Goiás umas 5 vezes, e o achei muito dependente dos alas. Levo muita esperança na atuação de Danilo Silva e Kléber. Serão vitais para o sucesso do colorado.

sábado, 29 de agosto de 2009

Grêmio é favorito, mas...

Embora aqui em Porto Alegre, pelo pay-per-view assisto regularmente aos jogos do Botafogo, quando não coincidentes com os do Beira-Rio. Neste Campeonato Brasileiro, creio ter visto cerca de 12 ou 13 jogos do alvi-negro, o Glorioso de General Severiano, uma das minhas manias desde a infância. Como todos os clubes do Rio, atualmente vive em condições financeiras muito difíceis. Dependente, por isto, de empresários que fazem deste esporte o seu "ganha pão". Atualmente na condição de "barriga de aluguel" ou, se preferirem, "vitrine de atletas colocados em consignação". Maicossuel, o Mestre, ícone da equipe no primeiro semestre, foi um desses. Neste brasileirão é o time dos empates, que no entendimento de Luxemburgo são nada mais do que "derrotas metidas a besta". Também é o time dos gols sofridos ao final de partidas e, ainda, campeão dos passes errados, segundo scouts oficiais. Time de altos e baixos, mais baixos do que altos. Dos gols perdidos, muitos. De jogadores de poucas condições técnicas, vários. Em meio a turbulências que o colocaram na temida ZR, já há algumas rodadas, enfrenta neste domingo o Grêmio, que, se ainda não venceu fora do Olímpico na disputa, vem descansado para um jogo contra um rival que se "esfolou" para obter mais um empate para a sua coleção, na quinta-feira à noite contra o Cruzeiro, jogando com 10 homens contra 11 um tempo inteiro. Afora esta vantagem física, antevejo a desigualdade no duelo entre uma zaga baixa contra uma equipe que faz sempre do jogo aéreo o seu maior investimento. Sem falar nos contra-ataques, especialidade gremista muitas vezes propiciada aos adversários do Fogão. Claro que, muito embora o meu lado racional perceba a dificuldade, não deixo de ter esperança. Afinal, se é possível invocar espíritos especialistas na arte do futebol, os temos em quantidade muito maior...Garrincha, Didi, Quarentinha, etc., etc., etc. Pode ser que inspirem Juninho, Lúcio Flávio, Reinaldo, André Lima e companhia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Valeu pela superação

Em partida onde levou os seus torcedores do desânimo total à euforia absoluta e depois à conformidade com o resultado, o Inter empatou em 3x3 com o Santos, na Vila Belmiro, jogo ainda referente ao primeiro turno do campeonato. Com o empate, a equipe volta ao G4. Iniciando muito bem as ações, o colorado deu a todos a impressão de que chegaria logo à vitória. No entanto, aos 15 minutos já perdia por 2 gols, fruto de falhas individuais, principamente de Bolívar. Quando tudo já parecia perdido, brilhou a estrela de Alecsandro, desta feita postado mesmo como centroavante, primeiro finalizando com perfeição uma investida de Taison pela linha de fundo, lado esquerdo e, depois, de cabeça, um cruzamento perfeito de Kleber numa cobrança de falta sofrida pelo mesmo participativo Taison. Inspirado por sua capacidade de reação, o time voltou com fôlego renovado para a segunda etapa, chegando à virada logo aos 5 minutos, através do mesmo Alecsandro, no seu mais belo gol da noite, de fora da área, numa bola colocada, por cobertura, fora do alcance do goleiro santista. Seria o momento, então, de reter a bola, trabalhá-la melhor e, valendo-se do nervosismo do Santos, possivelmente até alargar o marcador. Nada disso aconteceu. Com apagadas atuações de quem deveria cumprir esta função, especialmente Andrezinho e Giuliano, o que se viu, daí para a frente, foi um tremendo "bate e volta", duelo do ataque do peixe contra a defesa colorada. Veio o empate, obra de Kleber Pereira, de cabeça. Nos 30 minutos faltantes, o Inter ainda sofreu os percalços da lesão muscular do goleador da noite e das expulsões de Daniel e Sorondo, este excluído junto com Kleber Pereira. Tite promoveu apenas modificações no sentido de manter o resultado, com os ingressos de Marcelo Cordeiro, Magrão e Danny Morais. Nas circunstâncias, acabou sendo um bom resultado, já que reconduziu o time colorado ao cobiçado G4. Pena que tantos sejam os desfalques para o jogo mais importante do campeonato, domingo, contra o Goiás, jogo de 6 pontos. Mas...isto é outro papo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Corinthians: a banca só recebe

Em relação a prejuízos de arbitragem, dizem os bem-intencionados analistas que a "banca recebe, mas também paga". Não é bem assim. Às vésperas da decisão da Copa do Brasil, Fernando Carvalho mostrou ao país um DVD com os erros de arbitragem que haviam favorecido o rival até ali. Mídia volumosa, acho que passava de 15 minutos. Não adiantou. Acabou o Inter sofrendo um gol irregular (falta batida com bola em movimento), confirmado por Héber Roberto Lopes, o árbitro que apitou a partida com o nome dos "pendurados" do Timão no bolso e que livrou Chicão e Elias da suspensão para o jogo final. Na semana passada, o Beira-Rio assistiu a uma vitória do Corinthians, com os seus dois gols marcados em impedimento. Ontem, mais uma vez o benefício à banca corintiana. No primeiro tempo, dois lances. A marcação de um impedimento inexistente do ataque do Botafogo, verdadeiro gol anulado na opinião de Renato Marsiglia - comentarista de arbitragem da partida - e um pênalti claro de Moradei em Victor Simões, deslocado no ar quando cabecearia para o gol. Na segunda etapa, a falta inexistente que originou o segundo gol do Corinthians e a penalidade máxima marcada ante a ridícula simulação de Jorge Henrique, o maior "cai-cai" do futebol brasileiro atual. Na batida deste penal, aliás, o inusitado. Não tivesse Dentinho aproveitado o rebote do goleiro Castillo, a penalidade seria cobrada novamente, sob a alegação de haver o uruguaio se adiantado. Vi e revi. Deu mesmo um passo, como todos os goleiros o fazem, sem qualquer punição. É verdade que há o debate sobre o gol de André Lima, se teria ou não sido feito com o auxílio da mão. É possível que tenha ocorrido. Mas, a balança, mesmo assim, pende terrivelmente para um lado só, para o time do Presidente. Ao Botafogo, só restou "se queixar ao Bispo", no caso o Arilson da Anunciação.

domingo, 23 de agosto de 2009

Inter perde em jogo igual

Jogando uma partida de razoável para boa, o Inter foi derrotado pelo Palmeiras por 2x1, no Parque Antártica, neste sábado. Foi um jogo muito igual, de muita velocidade, de muito empenho, mas de raras oportunidades e reduzido trabalho para os goleiros. Quando é assim, tudo se decide no detalhe. Num contexto desses, pesaram demais as falhas individuais do zagueiro Danny Morais, reponsável quase que direto pelos gols palmeirenses, primeiramente precipitando-se ao cometer pênalti em Diego Souza, ainda no primeiro tempo, e depois, logo no início da segunda etapa, quando, mal colocado e sem recuperação, permitiu a finalização de Ortigoza após arremate do mesmo Diego Souza que resvalou em Sorondo. No mais, embora também não criasse muitas oportunidades, o Inter esteve bem, muito acima do que produziu contra o Corinthians, na última 4ª feira. Giuliano, em franca ascensão, foi, mais uma vez, o destaque colorado, independentemente do belíssimo gol marcado, sendo secundado por Guiñazu, Taison e Kléber (este, principalmente no tempo inicial). Não fossem as falhas individuais de Danny, o Inter poderia estar comemorando ao menos o empate. E quem sabe até a vitória, se Alecsandro se convencesse de que lugar de centroavante com a sua postura física e característica é na chamada "zona do agrião".

sábado, 22 de agosto de 2009

Mais sobre o "salto alto"

Nesses já muitos anos de futebol vi e ouvi falar, algumas vezes, de derrotas inacreditáveis, de times muito superiores. Em alguns casos, atribuídas ao "Sobrenatural de Almeida", expressão imortalizada pelo grande Nelson Rodrigues. Lembro-me de ter visto, em VT, um jogo das eliminatórias européias para a Copa de 1974, que significou a eliminação da Inglaterra, em Wembley, ante a Polônia. Naquele jogo, creio que foram 2 ou 3 bolas à trave de Tomaszewski, afora mais umas 5 ou 6 chances de gol desperdiçadas pelos ingleses, e outros tantos milagres do goleiro polonês. Outro jogo famoso tem explicação diversa para o seu resultado. Meu pai o assistiu ao vivo, no Maracanã, em 1950. Derrota do Brasil para o Uruguai, na final, diante de mais de 200.000 incrédulos torcedores. Na verdade, segundo ele me narrou, muitas vezes, com todas as cores, o jogo foi perdido às vésperas, fruto da absoluta desconcentração motivada pelo "já ganhou". Entrevistas em excesso, mudança do local da concentração, manchetes ufanistas, tudo contribuiu para que aquele grande time, muito superior em retrospecto à boa equipe uruguaia, naufragasse rotundamente no dia 16 de julho de 1950. Naquela tarde, o 11 nacional e ainda os mais de 200.000 assistentes, todos, se apresentaram de "salto alto". Não é consciente a atitude do "salto alto". Por isto, nunca vi jogador, técnico ou dirigente qualquer admiti-la. É apenas um fato. Na verdade, um estado de espírito que desarma, desconcentra. Por qualquer fator ou fatores. Sofreu deste mal o Inter, na quarta-feira passada, diante do Corinthians, ante o anúncio dos 7 ou 8 desfalques do Timão. Sofreu do mesmo mal o Botafogo, na mesma noite, frente a um Santo André que vinha de 1 empate e 7 derrotas nos últimos 8 jogos. Logo, a antevisão das facilidades. Futebol não combina com zona de conforto e sim com alerta máximo. Não fosse assim, jamais ouviríamos a seguidamente repetida cantilena: "o 2x0 é um resultado muito perigoso". Não sei se o Inter vence o Palmeiras neste sábado, no Parque Antártica. Tomara que sim. Sei, sim, que jogará com a "faca entre os dentes". Meio caminho andado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

No início foi salto 12...

Escrevo essas linhas logo após ver, ao vivo e a cores, a derrota do Inter para o Corinthians, em pleno Beira-Rio. Com muito boa vontade, dá para dizer que se tratava do misto do Corinthians. Em linguagem mais do passado, se diria que enfrentou-se o time de aspirantes do clube paulista. Tenho a convicção, firmada pela observação dos primeiros 10 minutos de partida, de que algumas chuteiras mais pareciam lindos sapatos de festa, aqueles de festa chique, de salto bem alto, que deixam as moçoilas muito elegantes nessas ocasiões. Nesses minutos iniciais, percebeu-se que o time de aspirantes tinha a liberdade de trocar passes em sua zona de defesa e intermediária, sem qualquer incomodação. Fez isto, com muita tranqüilidade. Triangulava com facilidade, sem que sequer fosse parado com faltas de jogo. Essa liberdade que se concede a adversários -já vi muitas vezes a cena - decorre de um sentimento de superioridade, que se expressa desta forma. O pensamento reinante se traduz no "hoje ganharei sem muito esforço". O chamado "salto alto" não é voluntário, obviamente. É inconsciente. O torcedor reconhece este estado de espírito. A razão é bem simples. Torcedores também, às vezes, vão ao estádio de "salto alto". Quando a sensação é esta, raramente se escapa do desastre. O futebol, de alto nível, exige concentração máxima, durante todo o tempo. Se há superioridade, é necessário demonstrá-la, a cada instante, "com a faca entre os dentes". Não foi o que vi esta noite, no Inter, de modo quase geral . Oxalá o episódio seja bem compreeendido, assimilado e sirva de impulso ao glorioso Colorado, já no final da semana, no Parque Antártica.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O tempo...ah o tempo

Há alguns meses atrás, numa enquete promovida pela Rádio Gaúcha, buscando formar a seleção brasileira de todos os tempos, deparei-me com a escolha de Branco, ex-Fluminense, na lateral esquerda, mesmo concorrendo com Nilton Santos. Para quem nunca ouviu falar do velho Nilton, que jogou somente no Botafogo, por quase 17 anos, e pelo selecionado nacional, era conhecido como "a Enciclopédia do Futebol" e foi escolhido, pela FIFA, como o maior lateral canhoto do século XX. Branco, com o máximo respeito que merece, mesmo campeão do mundo em 1994, poderia, na relação com Nilton, receber o apelido de "gibi", tranqüilamente. Atribuí o sacrilégio, inicialmente, à falta de um melhor critério de avaliação e de ponderação, em vista das décadas que distanciam a aparição de um e de outro. Convenci-me, no entanto, que o fato se deveu às peripécias do tempo. Nada mais. Tempo que, muitas vezes, é o único remédio que cura uma saudade, não importa se definitiva ou não. Enciclopédias e gibis são mesmo coisas do passado, nem se sabe mais o que significam. Nesta semana, nova pesquisa de opinião em andamento, agora realizada pelo jornal Zero Hora, sobre a seleção de Inter e Grêmio de todos os tempos. Pelo andar da carruagem, sobrarão, desta feita, o Tesourinha, do rolo compressor, um dos maiores ponteiros do futebol brasileiro em todos os tempos, para alguns comparável até mesmo ao Mané Garrincha, e o não menos espetacular zagueiro central Airton, "o Pavilhão". O tempo...que implacável é o tempo!

domingo, 16 de agosto de 2009

No duelo de Victor x Flamengo deu Victor

Na vitória de 4x1 sobre o Flamengo, o goleiro gremista acabou sendo escolhido, por unanimidade, o melhor em campo. A justa escolha retrata exatamente o que foi o jogo desta tarde. Com desfalques importantes, nas duas equipes, o primeiro tempo iniciou em ritmo de estudos. No momento em que rubro-negro começava a se assenhorar das ações, mercê do bom trabalho dos jovens Lenon e Everton Silva, principalmente, o Grêmio achou um gol, em um cruzamento de Jadilson e finalização de Perea, de cabeça. Poucos minutos após, o Flamengo, que insistia sempre às costas de Jadílson, chegou ao empate num lançamento de Adriano para Everton, que, dentro da área, pelo lado esquerdo, fuzilou Victor com um arremate cruzado de perna esquerda. O goleiro chegou ainda a tocar na bola, prenúncio do que estaria ainda por realizar. Eram cerca de 25 minutos. Daí até o final da primeira etapa o que se viu foi o Flamengo empilhar oportunidades de gol, todas neutralizadas por Victor. Primeiro contra Everton Silva, depois num "cara a cara" com o "imperador" e finalmente em outro duelo pessoal, desta feita contra Emerson. No segundo tempo, Paulo Autuori fez ingressar Bruno Collaço no lugar de Jadilson, verdadeira "avenida" por onde transitara com facilidade o Flamengo até então. Logo no início da segunda etapa, o goleiro Bruno trabalhou por duas vezes, em seqüência, em finalizações de Jonas e Rafael Marques. Após, foi a vez do goleiro tricolor salvar de novo sua meta, numa finalização à queima-roupa de Adriano, que estava em tarde não muito feliz. Adiante, aos 11 minutos, Rever, hoje postado como volante, progrediu, tabelou com Douglas Costa, desvencilhou-se de um marcador e chutou forte e rasteiro de fora da área, no meio do gol e o arqueiro flamenguista aceitou. Autuori promoveu então uma segunda substituição, sacando Douglas Costa e fazendo entrar Joílson. Teve mais sorte do que juízo. O Flamengo voltou a crescer e só não empatou porque lá estava Victor frente a Emerson. O famoso "quem não faz leva" se fez presente, mais uma vez. A partir dos 30 minutos, o "tudo ou nada" de Andrade, que a esta altura colocara um terceiro atacante, Denis Marques, propiciou ao Grêmio duas infiltrações isoladas e, com elas, o elástico escore, obra de Jonas, cobrando penalidades máximas cometidas em Perea e Joilson. A torcida gremista, nestes dois momentos, substituiu o grito de gol por Victoooooooooooorrr! Justa homenagem ao melhor da tarde!

sábado, 15 de agosto de 2009

Inter: líder por aproveitamento

Como prognosticara na 4ª feira passada (ver comentário neste blog), o sistema defensivo colorado cumpriu muito bem a sua missão, transmitindo a necessária tranqüilidade à equipe. Assegurado o equilíbrio defensivo, foi só questão de tempo e adaptação às péssimas condições do gramado (?) do Bruno José Daniel para que o Inter fizesse prevalecer as suas condições física e técnica e batesse, inapelavelmente, o "experiente" Santo André, com gols de Taison e Alecsandro, este de pênalti, ambos marcados no segundo tempo. Com o resultado, o Inter passa à liderança do campeonato, por aproveitamento, já que ainda tem dois jogos atrasados por cumprir. Para quem tem apreço por trabalho coletivo e mecânica de jogo, o jogo foi exemplar. Muitas atuações de bom nível, em todos os setores, e nenhum fracasso individual. Destaque para o conjunto, o que é muito bom, a essa altura do campeonato. Como aspecto negativo, a atitude impensada e infantil de Taison, expulso ao chutar um adversário, por trás, em pleno terreno de ataque. Com o gesto, colocou em risco a vitória e desfalca o time na próxima e importante batalha de quarta-feira próxima, contra o Corinthians, no Beira-Rio. O Gigante da Copa vai rugir, saudando o novo líder!

Sorte, Estevam

Como colorado, e botafoguense, desejo muita sorte a Estevam Soares em sua estréia no Fogão, neste sábado, contra o líder Palmeiras, no Parque Antártica. Com a autoridade de quem pagou a sua multa rescisória ao Barueri, por entender que se trata de evolução na carreira, o novo técnico alvi-negro começa em alta, junto aos torcedores e aos seus novos comandados. No Brasil, pelo menos, poucas vezes se viu tal demonstração de "confiança no taco". Pensando bem, não há como não "jogar a morrer" pelo "professor", nessa circunstância. Que os anjos digam amém, Estevam!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Meu time no Cartola (19ª rodada)

Para conferir no final da semana, o meu time no Cartola, levando em consideração as valências dos jogadores, as possibilidades de vitória nos jogos e buscando jogadores em valorização. Lá vai. No gol, Edson Bastos (Coritiba, contra o Flu); na defesa, Júlio César (Goiás, contra o Vitória), Márcio Careca (Barueri, contra o Atlético PR), Juninho (Botafogo, contra o Palmeiras) e Leonardo Silva (Cruzeiro, contra o Santos); no meio de campo, Diego Souza (Palmeiras, contra o Botafogo), Douglas Costa (Grêmio, contra o Flamengo) e Andrezinho (Inter, contra o Santo André); no ataque, André Lima (Botafogo, contra o Palmeiras), Thiago Humberto (Barueri, contra o Atlético PR) e Otacílio Neto, (Barueri, contra o Atlético PR), a grande aposta da semana (faço votos que jogue). Bons e baratos que ficaram de fora: Muriqui e Luís Ricardo (do Avaí), Batista (Botafogo) e Ewerton (Barueri).

Técnicos de futebol ou motivadores ?

Há alguns dias atrás, ouvindo Renato Portaluppi na entrevista de vestiário após o jogo Fluminense 5 x 1 Sport, reafirmei a minha convicção de que, em alguns casos, os clubes pagam (e caro!) por serviços profissionais de técnico de futebol e recebem, na verdade, serviços de apoio psicológico e motivacional a atletas. Lembro-me que, em resposta à indagação a respeito do motivo daquela vitória, o profissional conterrâneo sentenciou: foi a "atitude" demonstrada pelos jogadores. Sou obrigado a concluir, assim, que faltou "atitude" aos jogadores do Sport. E mais. Em se tratando de jogos onde todos demonstrem "atitude", fatalmente haverá empate. Como no campeonato baiano, onde os empates se dariam em razão dos "trabalhos da sexta-feira", obra de todos, indistintamente. Nas entrevistas, raríssimas são as alusões a algum aspecto tático, a uma mudança de sistema ocorrido em meio à partida ou a um componente técnico relevante. Talvez porque, em grande parte, a ação do técnico tenha mesmo se limitado, no vestiário, à colocação de fotos de familiares, de manchetes de jornais tidas por ofensivas, de declarações provocativas de adversários e outras formas de impulsão emocional. Explica-se, desta forma, o porquê do nosso desespero de torcedores, diante da alteração tática que deixa de ser feita ou da substituição gritante que não é realizada. Não quero dizer com isto que o componente emocional não deva ser explorado. Quero dizer, de fato, que outros profissionais poderiam fazê-lo, melhor e a menor custo. E que os altos salários do "coach" deveriam se justificar, isto sim, em razão das variantes táticas e técnicas que domina. Pretendo voltar ao tema, logo que puder. Me aguardem!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os astros estão a favor

No 1x1 do Mineirão, param Palmeiras e Atlético MG. Bom para o Inter. Aliás, bótimo. Resultado justo, com muitas chances, de parte a parte. Destaque para Diego Souza, Ortigoza e São Marcos - embora a falha no gol do Galo - no verdão, e para a força coletiva dos mineiros. Incrível o gol perdido por Cleiton Xavier!

Na Azenha, jogo de risco

Sem a eficiência de Souza e sem a bola parada qualificada de Tcheco, o Grêmio terá, no domingo, um jogo de risco para as suas pretensões de se aproximar do G4 frente ao Flamengo de Bruno e do "imperador" Adriano. O rubro-negro carioca, que esta noite poupa os seus titulares no confronto contra o Fluminense pela Sulamericana, vem a Porto Alegre disposto a encaminhar o seu ingresso na zona da Libertadores, deixando para trás a marca de uma campanha até aqui de altos e baixos. O ex-centroavante da Inter de Milão, por sua vez, busca distanciar-se na tabela de artilheiros do campeonato. Diante da absoluta ineficiência que vem demonstrando fora de casa, com cerca de apenas 7% de aproveitamento, vê-se aumentada a tensão gremista, pois um tropeço poderá desencadear uma crise na Azenha. Ou será que crise só se cria no outro lado? Palpite triplo, na Loteria Esportiva. E uma "secadinha" básica, que não faz mal a ninguém. É do jogo.

Jogo decisivo contra o Santo André

Para demonstrar a que veio, e que tem pretensões sérias ao título - e conseqüentemente à Libertadores 2010 - o Inter deve, obrigatoriamente, pontuar em Santo André. De preferência, no plural. E a tarefa não se afigura fácil, tendo em conta que a partida será disputada fora do Beira-Rio, contra um adversário que se aproxima a cada rodada da zona de perigo, o G4 às avessas e, por isto, necessita reabilitar-se. Jogo para fazer prevalecer a condição física da equipe colorada, ante a experiência e os quilômetros rodados de Marcelinho Carioca, Fernando (o eterno), Gustavo Nery e demais comandados do técnico Alexandre Gallo. Considerado desfalque certo no início da semana, o SuperGuina vem apresentando pronta recuperação. Não será surpresa a sua presença no Estádio Bruno José Daniel no sábado. Particularmente, espero muito do sistema defensivo do Inter com a sua nova formação, especialmente no domínio da bola aérea, como se viu no segundo tempo do último confronto, contra o Sport. Tomara que não queime a língua. Se fizer os 3 pontos, acho difícil segurar o "campeão de tudo" no segundo turno. Como já dizia o velho Froner, vamos ver.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ar japonês faz bem ao Inter, novamente

Numa noite em que se detectava certa preocupação com o desgaste da viagem ao Japão, onde recentemente venceu a Copa Suruga, o Internacional venceu o Sport do Recife por 3x0, resultado que garante a sua permanência no G4 do Campeonato Brasileiro. No primeiro tempo, domínio com certa falta de objetividade. No segundo período, a tradução desse domínio em mais oportunidades e finalizações, duas das quais resultaram em gol. A comemorar, ainda, a par da vitória, algumas afirmações pessoais e o crescimento da produção coletiva. Uma dessas afirmações, Giuliano, que, além do gol único da etapa inicial, fez a sua melhor partida no Inter, jogando mais pelo flanco direito ofensivo. Outra, a do o volante Sandro, que coroou mais uma grande exibição com um belo gol, em infiltração pelo lado direito da área e arremate cruzado no canto superior direito do excelente Magrão. Até mesmo o infortúnio de Índio (retirado no intervalo com suspeita de fratura nasal) foi positivamente capitalizado, com o ingresso de Danilo Silva na ala direita e a volta de Bolívar à zaga central, ambos de excelente atuação. Na verdade, foi um segundo tempo bem melhor do que o primeiro, com o que viu-se espantado, também, o fantasma dos últimos segundos tempos da equipe, que vinha deixando apreensivos a todos os colorados. De quebra, a fria e úmida noite do Gigante presenciou, ao apagar das luzes, o gol de D'Alessandro, de retorno muito festejado pelos quase 17.000 colorados presentes.

O que vi no final de semana (2)

No domingo às 16hs, num jogo de defesas muito vulneráveis, Vitória e Fluminense empataram em 2 gols, quando o mais adequado talvez fosse um 4x4. Boas atuações de Leandro Domingues e Apodi, pelo Vitória, e do veterano Roni, pelo lado do Fluminense. Mais ao fim da tarde, ou início da noite, como queiram, acomodei-me sob o lençol térmico para checar se o time da Arena Barueri poderia ou não ser colocado ainda entre os cavalos paraguaios deste Brasileirão. Não pode. Time equilibrado e bem postado, como já havia visto no Beira-Rio, o Barueri mostrou muitas qualidades, dentre as quais destaco a compactação dos setores, o toque refinado e a velocidade na execução das jogadas ofensivas. Destaques para Thiago Humberto, Fernandinho e Ewerton. Ao contrário do que afirmaram alguns experts da nossa crônica local, creio que ao Grêmio não faltou pegada, nem atitude. Alguma qualidade, sim. Muito boas as atuações de Tcheco e Adilson, principalmente deste, que vem crescendo, visivelmente, sob Paulo Autuori. O Grêmio desta partida deve ser medido, também, isto sim, pelas dificuldades que lhe impôs o adversário. Verdade seja dita, na relação dos jogos paulistas realizados pelo Grêmio nesta semana, o Barueri jogou mais do que o Palmeiras. Estevam Soares esteve melhor do que Muricy Ramalho, não recorrendo à retirada de atacantes para reforço defensivo, como confessadamente o fez o técnico palmeirense no jogo da última quinta-feira contra o Grêmio.

O que vi no final de semana (1)

Meio prostrado, ainda, com os sintomas de uma gripe, felizmente sazonal, e também desanimado com o mau tempo que nos assola há dias, outra saída não me restou senão, entre as refeições e os cochilos, acrescer mais alguns capítulos à minha biografia de torcedor-observador. No sábado, vi o novo Bayern, do anti-brasileiro Van Gaal, empatar em Hoffenheim, num jogo muito disputado e em altíssima velocidade. Do jogo, destaco a arbitragem. Segura, com autoridade e equilíbrio, sendo apresentados apenas 2 cartões amarelos. Fosse arbitragem à brasileira, teríamos fatalmente 7 a 8 cartões amarelos e 1 ou 2 vermelhos, mesmo diante de um jogo que nunca beirou à deslealdade. Carlos Eduardo, ex-Grêmio, é hoje, pelo que vi, um jogador extremamente adaptado ao estilo do futebol europeu, atacando e marcando com a mesma eficiência. Possibilidade de futuras convocações à vista. Vi também o meu glorioso Botafogo "dar de bandeja" um jogo ganho ao fraquíssimo, esquálido e, para mim, futuro rebaixado, Atlético Paranaense. Para terem idéia, o time paranaense criou somente uma oportunidade, a de seu gol, feito em claro impedimento. No mais, chutões e faltas com intuito de parar o jogo. Do outro lado, a total incompetência nas finalizações, cerca de 6 ou 7 oportunidades desperdiçadas, entre elas o pênalti cobrado por André Lima, mesmo diante da ordem em contrário do treinador Ney Franco, que determinava fosse a penalidade de responsabilidade do batedor oficial, Lúcio Flávio.

domingo, 9 de agosto de 2009

Paixão à primeira vista


No ano de 1962, quase ao seu final, fui pela primeira vez a um estádio de futebol. E que primeira vez! Do jogo, lembro muito pouco. Dos gols, não lembro como foram feitos. Eu era ainda pequeno, e as pessoas costumavam levantar-se quando dos ataques perigosos. Naquele jogo, levantaram-se várias vezes. A paixão veio com a entrada em campo. Jogavam Inter e Botafogo. Levado pela mão generosa de meu pai, Renaux, ia ver, segundo ele, a seleção canarinho vestida de preto e branco jogar contra o campeão gaúcho de 1961, o Internacional. E nela, alguém muito especial. No estádio Olímpico, em pleno final daquele ano, vi, com esses olhos que ainda me servem muito bem, ao vivo e a cores, de mangas compridas (embora nada o recomendasse o clima da noite), um sujeito assediado por muitos repórteres. Não muito alto, não muito forte, mas ágil, muito ágil. De início até que não. Demorou a se esquivar dos tais repórteres. Mas, depois, a impressão que me ficou é a de que, tal qual herói de gibis da época, podia transformar seu corpo em roda, em mola e até desaparecer, momentaneamente. Falo de Mané Garrincha. Os demais eram simples mortais. Sei que o Botafogo ganhou aquele jogo. Não sei como jogaram os dois times, se foi justo ou não. Nunca mais o vi jogar ao vivo. Nunca mais deixei de olhar os detalhes apaixonantes de um jogo por distraído com um super-herói. Assim, embora gaúcho, futebolisticamente nasci botafoguense, de família vinculada ao glorioso EC Cruzeiro de Porto Alegre, o famoso "clube dos 18". Talvez este primeiro jogo, lá no inconsciente, de alguma forma, junto com injunções familiares, justifique a vinculação afetiva posterior, já na fase madura, com o Sport Club Internacional, que me tem como sócio e torcedor, com muito orgulho.