
No ano de 1962, quase ao seu final, fui pela primeira vez a um estádio de futebol. E que primeira vez! Do jogo, lembro muito pouco. Dos gols, não lembro como foram feitos. Eu era ainda pequeno, e as pessoas costumavam levantar-se quando dos ataques perigosos. Naquele jogo, levantaram-se várias vezes. A paixão veio com a entrada em campo. Jogavam Inter e Botafogo. Levado pela mão generosa de meu pai, Renaux, ia ver, segundo ele, a seleção canarinho vestida de preto e branco jogar contra o campeão gaúcho de 1961, o Internacional. E nela, alguém muito especial. No estádio Olímpico, em pleno final daquele ano, vi, com esses olhos que ainda me servem muito bem, ao vivo e a cores, de mangas compridas (embora nada o recomendasse o clima da noite), um sujeito assediado por muitos repórteres. Não muito alto, não muito forte, mas ágil, muito ágil. De início até que não. Demorou a se esquivar dos tais repórteres. Mas, depois, a impressão que me ficou é a de que, tal qual herói de gibis da época, podia transformar seu corpo em roda, em mola e até desaparecer, momentaneamente. Falo de Mané Garrincha. Os demais eram simples mortais. Sei que o Botafogo ganhou aquele jogo. Não sei como jogaram os dois times, se foi justo ou não. Nunca mais o vi jogar ao vivo. Nunca mais deixei de olhar os detalhes apaixonantes de um jogo por distraído com um super-herói. Assim, embora gaúcho, futebolisticamente nasci botafoguense, de família vinculada ao glorioso EC Cruzeiro de Porto Alegre, o famoso "clube dos 18". Talvez este primeiro jogo, lá no inconsciente, de alguma forma, junto com injunções familiares, justifique a vinculação afetiva posterior, já na fase madura, com o Sport Club Internacional, que me tem como sócio e torcedor, com muito orgulho.
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