Depois de ouvir da especializada crônica esportiva da cidade, de modo quase geral, que o empate do Inter com "la U" foi uma quase-tragédia, mesmo com as 10 situações de gol criadas e desperdiçadas, e a grande atuação de Miguel Pinto, o goleiro chileno, veio-me à cabeça o jogo do Grêmio com a mesma equipe chilena, pela Libertadores da América deste ano.
Lembro-me, muito bem, de quão exaltado foi o time tricolor pelos mesmos analistas, embora o empate em zero. Na ocasião, recordo em detalhes, fez-se grande alarde à atuação do goleiro contrário, o mesmo Pinto, e às 12 chances de gol gremistas. Nada a respeito de tragédia.
Vem-me à mente, por igual, uma seqüência de vitórias do Inter, ante Barueri, Sport e Santo André (ocorrida logo após a perda da Copa do Brasil, para o Corinthians), considerada por vários desses analistas como pífia, ou de importância reduzida face à fraqueza dos adversários.
Pois, o que diz a mesma especializada turma de comentaristas atualmente, a respeito de uma similaríssima seqüência de resultados do tricolor gaúcho, diante de Vitória, Náutico e Fluminense, onde obteve 7 pontos? Respondo. Dizem que se trata do "tricolor arrasador", da "caminhada triunfante rumo ao G4", "rumo ao G4 e talvez ao título", do "crescimento na hora certa".
Para esses, a crise ronda o Beira-Rio, sempre, independentemente de ser o único clube que jamais saiu do G4, desde a primeira rodada.
Interessante mesmo, que a crise não atinja o Cruzeiro, o Flamengo, o Grêmio e outros tantos, que nunca estiveram no ambicionado G4, sequer por uma mísera rodada do campeonato.
Os mesmos experts, arautos da crise colorada, sempre atribuíram o sucesso do Inter do primeiro semestre à debilidade de seus adversários, especialmente no Gauchão. Nunca disseram o mesmo de um dos grupos de Libertadores mais fracos da história do Torneio, composto, além do Grêmio, por "la U", Boyacá Chicó e Aurora.
Fico a imaginar o que já teria acontecido ao glorioso colorado, em termos de crise criada, se tivesse obtido classificação a uma semi-final de Libertadores empatando em 0x0 com o Caracas, da Venezuela, em pleno Beira-Rio. Uma catástrofe, certamente, seria mancheteada.
Imaginem, então, se, na seqüência, no Brasileirão, o time tivesse vencido somente uma vez fora de casa, e contra um dos últimos colocados no certame. Cairia a casa, sem dúvida.
Dito isto, concluo: das duas, uma. Ou estou paranóico, ou não.
3 comentários:
Caro Paulo:
1) Primeira (?) opção (?), indubitavelmente. Se esses cronistas, ora do óbvio, ora de invencionices, tivessem que declarar sua filiação clubística, talvez o panorama se modificasse sensivelmente. Esperar-se-ia, claro, que fossem honestos...No RJ, por exemplo, há um jornalista esportivo que se declara torcedor do América. Tudo bem, pode até ser verdade, neste e nalguns outros (poucos) casos. Vossa Excelência, mesmo, é exemplo: torce para o Cruzeiro de Porto Alegre (além de para o Botafogo RJ). E, talvez, hoje em dia, por influência do Nando (Marta também?), para o Inter. Agora, só não pode isso (torcer para times pequenos, que normalmente não participam das principais competições) ser usado, por integrantes inescrupulosos da mídia, para esconderem suas vinculações, continuando a produzir matérias eivadas de mentiras e disparates;
2) Tênis: uma pena a derrota para o Equador, ou, melhor situando, para a Família Lapenti. A dupla brasileira decepcionou. O Marcos Daniel teve um desempenho excelente, mas prevaleceu a experiência do Nico, que é um tenista que domina todos os fundamentos. Sabe-se que o tênis nacional nunca teve grande status entre as principais potências do esporte. Não é muito difundido o esporte, é caro, restrito a uma elite, inexistem programas e projetos continuados dos governos na área, etc. Isso mesmo quando tivemos grandes jogadores, Como Maria Ester, Koch, Guga. Agora, é preocupante (e inadmissível) que jogadores profissionais, como alguns dos que representaram a nação tupiniquim nas Davis, tenham deficiências tão grandes e gritantes em alguns fundamentos básicos, como, dentre outros, saque e voleio. Outra área em que há um prejuízo sensível é a emocional. É lamentável ver-se o descontrole desses meninos (e meninas) que jogam (?) tênis no país. E dê-lhe lançar raquetes ao chão! Certo que existem alguns tenistas razoavelmente ranqueados que fazem tais barbaridades, mas isso não deveria ser nosso modelo. Deveriam olhar para o proceder de gente como Federer, Borg, Sampras, etc. Aliás, espraiando o âmbito de incidência da observação: isso ocorre, em Tupiniquim State, em todos os esportes. Então, há que tomar providências. Deve-se ter acompanhamento psicológico/psiquiátrico desde a categoria infantil, e constantemente. Deveria também promover-se intercâmbio de técnicos, clínicas com grandes jogadores e técnicos internacionais, quiçá importar-se técnicos de alguns esportes, como o próprio tênis. Aliás, no basquete e na ginástica isso aprovou. No quesito técnico, uma pergunta: porque, na Davis, é o capitão que fica em quadra, e não o técnico? Aquele (o tal Chico Costa), aliás, tem um conhecimento enciclopédico do esporte, resumido numa expressão, que representou 90% de suas manifestações: "VÃMUUU!". De dizer-se que a grande maioria dos bem pagos técnicos de futebol brasileiro não faz muito diferente...:
3) Goleiro: todo mundo tem um dia ruim. Lauro não é exceção. Porém, creio que ele não é O GOLEIRO que o Inter precisa. Sou dos que entendem que um grande time principia num arqueiro de exceção. O Grêmio tem um, o Inter não. Lauro fica entre regular e bom. Tinha muita esperança no Michel Alves, mas algumas vezes em que entrou teve problemas. Ainda tenho esperanças nele, mas acho que precisaria de uma continuidade. E penso, também, no Muriel, um guri revelado pelo Inter e de quem já ouvi maravilhas, dentre elas a de que seria o melhor goleiro já formado no clube. Mas o Inter anda emprestando-o seguidamente...Porque???
Bem, por ora, era isso.
Abraço.
Antônio
Patônio,
Quanto rancor... Estas virando um amargo (como os colorados são conhecidos pela torcida gremista) mesmo.
Bem, sobre a imprensa, tu sabes bem que sempre é assim. Se o Grêmio perder o próximo jogo, estará em crise (já passou por várias este ano, segundo os meus colegas jornalistas). Se o Inter ganhar, será o futuro campeão brasileiro (já disseram isto em várias oportunidades ao longo do campeonato).
A minha opinião: Grêmio e Inter brigarão pelo G4. E digo mais: vai dar Grêmio, inclusive com uma boa vitória lá na beira do lago. Acho que outro 2x1 de virada (gols de Máxi e Tcheco).
Por fim, a Espanha é uma maravilha! Estamos (Ivan, Lela, Vera, Adriana, Walter, Luli e Marta) nos divetindo muito. Neste momento, o Walter, a Vera e a Marta estão em uma tourada.
Grande abraço,
Ivan Netto
Ivan:
Só usei o exemplo gremista prá bem caracterizar o que é crise criada. Eu, particularmente, acho que não se poderia, honestamente, falar em crise acometendo time que sempre esteve no G4. Por que criar um ambiente destes? Acho que quem faz isto só pode ter segundas intenções. Concordas comigo que o Grêmio deu, até agora, mais motivos para ser criticado? Contudo, não é assim. Olha só o conteúdo de meu último post.
E a respeito da Espanha, folgo em saber que estão se divertindo. É assim mesmo, enquanto alguns nobres vêem as touradas por aí, o pobre trabalhador, aqui, "toureia" uma vassoura, tentando manter a casa em ordem!
Brincadeiras à parte, beijos a todos, principalmente na Tia Martha (a quem não ligo por medida de pura economia).
Abraços
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